Se você gosta de mexer com eletrônica e ideias de IoT, provavelmente já ouviu falar de dois chips que fazem o maior sucesso. Eles são famosos por serem fáceis de usar, superversáteis e cabem no bolso. Quem desenvolveu essas placas foi a Espressif Systems, que ajudou muita gente a transformar projetos simples em coisas incríveis, tipo automação residencial e até dispositivos vestíveis.
O primeiro deles apareceu em 2014 e já chegou com Wi-Fi direto no chip, o que economizou dinheiro de muita gente. Antes, era preciso comprar módulos extra só pra conectar a internet, lembra? Depois veio o modelo atualizado, lá em 2016, que veio turbinado: processador dual core, Bluetooth e mais um monte de recursos pra quem precisa de algo mais parrudo.
O legal é que os dois funcionam com o Arduino IDE, então até quem tá começando consegue brincar e aprender. O modelo mais antigo ainda resolve muita coisa básica, enquanto o novo já é o queridinho pra quem precisa de segurança e quer economizar energia em projetos mais complexos.
Na hora de escolher qual usar, três coisas pesam: o quanto o projeto é complicado, quanto você pode gastar e os detalhes técnicos que precisa. Aqui vou explicar as principais diferenças, situações em que cada um se encaixa melhor e até dicas pra não gastar mais do que precisa.
A chegada da conectividade sem fio mudou tudo na eletrônica. Lá em 2013, a Espressif chegou da China com a ideia de facilitar a vida de quem queria criar projetos de IoT sem gastar uma fortuna. Antes deles, prototipar era coisa de laboratório profissional.
Os primeiros módulos ESP conquistaram o pessoal porque tinham três vantagens claras:
- Wi-Fi já no chip, sem precisar comprar nada extra
- Compatíveis com plataformas fáceis, tipo Arduino IDE
- Preço até 70% mais em conta que outros da época
Isso abriu portas pra todo mundo tentar fazer um dispositivo inteligente em casa, mesmo sem ser engenheiro. Enquanto as placas antigas precisavam de um monte de peça pra conectar na internet, aqui era só colocar na placa e pronto.
No Brasil, então, a galera abraçou rapidinho. Tem grupo, fórum, canal no YouTube só pra compartilhar código de:
- Sistemas de irrigação automática
- Controle remoto de luz
- Monitoramento de energia em casa
Com tanta gente usando, foi surgindo um monte de tutorial em português, biblioteca pronta, exemplos de sobra. Pra escolher entre os modelos disponíveis, é fundamental entender como cada um resolve necessidades diferentes. Bora ver isso mais de perto.
Esp8266 vs esp32: qual escolher
Pra decidir entre esses dois, vale olhar o que cada um oferece. O ESP32, por exemplo, tem processador dual core e pode ser até três vezes mais rápido que o antecessor, ótimo pra quem precisa rodar várias coisas ao mesmo tempo, tipo pegar dados de sensor e mandar pra internet.
Outra diferença grande é o Bluetooth que já vem no ESP32. Isso permite montar redes mesh, ligar sensores sem fio e criar soluções mais completas, especialmente pra automação ou dispositivos vestíveis.
Dá uma olhada nesses detalhes:
- RAM: ESP32 tem 520KB, o antigo só 80KB
- Sensores internos: o novo já traz temperatura e touch capacitivo
- Consumo de energia: rodando a 240MHz, o ESP32 usa cerca de 20% mais energia que o modelo de 80MHz
Pra coisas simples, tipo monitorar temperatura ou ligar/desligar remoto, o modelo antigo já resolve e economiza. Agora, se precisa de segurança, processamento rápido ou tarefas ao mesmo tempo, o novo é melhor.
E pra quem programa, a base é a mesma. Se você já fez algo no antigo, não vai se perder no novo. Dá pra começar pequeno e, se precisar, migrar depois sem dor de cabeça.
Diferenças Técnicas e Recursos
O que muda de verdade está na estrutura interna. O ESP32 vem com processador de dois núcleos, 32 bits, o que permite rodar tarefas simultâneas sem engasgar. O anterior é single core, mas também tem 32 bits. A velocidade nem se compara: 240MHz contra 80MHz.
Nos pinos de conexão (os famosos GPIO), o ESP32 chega a 39 portas, enquanto o mais velho fica com 17. Isso faz diferença na hora de ligar vários sensores ou acessórios, sem precisar ficar inventando muita gambiarra.
- Wi-Fi também melhorou: 150Mbps contra 54Mbps
- Só o ESP32 traz Bluetooth 4.2 e Ethernet integrada
- São 4 interfaces SPI pra comunicação serial rápida
Em sensores internos, o novo modelo tem sensores de temperatura, detecção magnética pelo Hall e 10 áreas de touch capacitivo. O antigo não tem nada disso, então se o projeto é interativo, faz falta.
Na parte de segurança, o ESP32 traz criptografia AES-256 e algoritmos SHA-2. Sobre consumo de energia, operar a 80MHz é mais econômico que usar o modo turbo.
Cenários e Aplicações em Projetos
Na prática, cada um brilha em situações diferentes. O modelo mais antigo é ótimo pra automação residencial simples, tipo ligar lâmpada via Wi-Fi, ler temperatura ou controlar irrigação. Ele dá conta de boa de mais de 80% das necessidades de casa, sem pesar no bolso.
O ESP32, por outro lado, é o preferido pra aplicações mais exigentes. Sistemas de segurança com vários sensores, monitoramento por câmera sem fio e até lojas usam ele pra mapear clientes via Wi-Fi.
Na indústria, dá pra ver casos como:
- Controle remoto de máquinas, usando Bluetooth e Wi-Fi juntos
- Redes de sensores espalhados pela fábrica
- Coleta de dados em tempo real, já com criptografia
Tem ainda módulos compactos pra wearables médicos, versões LoRa que alcançam quilômetros nas cidades e modelos com display integrado, que processam imagens ali mesmo, sem depender da nuvem.
No universo da robótica educacional, a escolha depende do nível do projeto. Pra testes básicos em sala de aula, o antigo resolve. Em competições ou projetos profissionais, o novo se destaca por aceitar motores e até algoritmos de visão computacional.
Vantagens e Desvantagens de Cada Módulo
No fim, tudo é questão de equilibrar o que você precisa com o quanto pode gastar. O ESP32 é uma mão na roda em projetos avançados, rodando processamento pesado e até algoritmos de inteligência artificial ou áudio ao mesmo tempo. Ele aceita câmera, sensores touch, é ótimo pra segurança e interfaces modernas.
O lado ruim é que consome até 35% mais energia no modo ativo. Apesar de funcionar com Arduino IDE, às vezes precisa de placa adaptadora pra certos acessórios. E o preço é uns 40% maior por causa de Bluetooth BLE e criptografia.
O ESP8266, por sua vez, ainda é ótimo pra automação básica. Dá conta de ligar luz, coletar dados simples e é fácil de encontrar conteúdo em português pra aprender. Só que a memória RAM dele limita bastante se você quiser rodar várias coisas ao mesmo tempo.
Pra quem tá começando, ele é perfeito pra dar os primeiros passos. Mas se o projeto crescer e pedir mais recursos, aí sim vale considerar o mais avançado, principalmente se precisar de redes mesh ou áudio.
Fonte: https://jornalbahia.com.br/